18 de jun. de 2011

Outros olhares sobre consumo e natureza: "A história das coisas" de Annie Leonard

Assista e divulgue este vídeo. Excelente para debates, para sala de aulas, para postar nos blogs, facebook, etc. Está completo e legendado em português. No YouTube há versões também em espanhol, e algumas divididas em 3 partes.





Clique aqui para ler uma entrevista com a ambientalista Annie Leonard.

Para saber mais sobre o projeto, clique na imagem

Na página do projeto é possível baixar outros filmes:
  • A história dos eletrônicos
  • A históra d´água engarrafada
  • A história dos cosméticos


23 de mai. de 2011

Sobre intolerânicias: filme Incendios de Denis Villeneuve


Gostei muito!


Titulo original: Incendies
Lançamento: 2010 (Canadá, França)
Direção: Denis Villeneuve
Atores: Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette, Rémy Girard.
Duração: 130 min
Gênero: Drama


SINOPSE: Canadá. Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon (Marwan Maxim) são irmãos gêmeos e acabaram de perder a mãe, Nawal Marwan (Lubna Azabal). Eles vão ao escritório do notário Jean Lebel (Rémy Girard) para saber do testamento deixado por ela. No documento, Nawal pede que seja enterrada sem caixão, nua e de costas, sem que haja qualquer lápide em seu túmulo. Ela deixa também dois envelopes, um a ser entregue ao pai dos gêmeos e outro para o irmão deles.
Apenas após a entrega de ambos é que Jeanne e Simon receberão um envelope endereçado a eles e será possível colocar uma lápide. Só que Jeanne e Simon nada sabem sobre a existência de um irmão e acreditavam que seu pai estava morto. É o início de uma jornada em busca do passado da mãe, que os leva até a Palestina.

1 de mai. de 2011

Xingu: os inúmeros caminhos de um rio, por Cecilia Mello

       Para que serve um rio? Para pescar, para banhar, para navegar, para amamentar. Sim, as mulheres indígenas e ribeirinhas costumam levar seus bebês para banhar-se no rio e os alimentam ali mesmo, dentro d’água, onde as crianças flutuam tranquilas abraçadas ao seio materno. Um rio tem muitos “aproveitamentos”, muito mais do que geralmente se imagina. É o que ensinam as crianças e populações indígenas que vivem à beira do rio Xingu.
 

      Visitei em novembro de 2009 (1) a comunidade ribeirinha Vila da Ressaca e a Terra Indígena Arara, ambas na Volta Grande do Xingu, região que seria a mais atingida no caso da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Se construída, a barragem desviaria o curso do rio Xingu, diminuindo drasticamente sua vazão, o que inviabilizaria as inúmeras relações que os povos que aí vivem mantêm com o rio. Hoje, os usos e sentidos que o Xingu possui para os grupos sociais que dele e com ele vivem são plenamente compatíveis entre si. Uma vez construída a barragem, o único uso possível do rio seria como força motriz para geração de energia — para quem? 

Clique aqui para ler matéria completa
Fonte: Prosa on line (23/04/11) - O Globo

18 de abr. de 2011

TV Brasil exibe documentários premiados no Etnodoc 2009

     Os 16 documentários premiados na segunda edição do "Edital de apoio à produção de documentários etnográficos sobre o patrimônio cultural imaterial brasileiro" (Etnodoc 2009) serão exibidos na grade de programação da TV Brasil às quintas-feiras, a partir do dia 21, à meia-noite.


Entre os documentários, o filme Hoje tem alegriade autoria e direção de Fábio Meira, ganhou o prêmio de melhor curta-metragem no Festival Internacional "É tudo verdade". O documentário acompanha o cotidiano de três circos no norte e nordeste do Brasil, tomando como eixo três personagens míticos da tradição circense brasileira: os pernambucanos Índia Morena e o mágico Alakasan, e o amapaense Ruy Raiol.

O  Etnodoc  foi criado em 2007 a partir de um grupo de trabalho composto por especialistas do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) e do Departamento de Patrimônio Imaterial, unidades do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Ministério da Cultura. A gestão do Etnodoc, patrocinado pela Petrobras num total de R$ 1.200.000,00, é da  Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro, vinculada ao CNFCP.

Os documentários destinam-se à exibição em redes públicas de TV, festivais e mostras, no sentido de somar esforços e ampliar as ações voltadas para a valorização e promoção dessa dimensão do patrimônio cultural, e também estimular iniciativas voltadas para a melhoria das condições de transmissão, produção e reprodução dos bens culturais que compõem esse universo. A veiculação conta com a parceria da TV Brasil, por meio de termo de cooperação firmado com o apoio da Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura.

Ordem de exibição na TV Brasil
Baile do Carmo - 21/04/2011 (Autoria – Daniel Eiji Hanai / Direção - Shaynna Pidori) Hoje tem alegria -  28/04/2011 (Autoria e direção – Fábio Meira)A boca do mundo - 05/05/2011 (Autoria e direção – Eliane Coster) Quindim de Pessach - 12/05/2011 (Autoria – Viviane Lessa Peres / Direção - Olindo Etevam)Dona Joventina - 19/05/2011 (Autoria - Clarice Kubrusly / Direção - Clarisse Kubrusly e Milena Sá)João da Mata falado - 26/05/2011 (Autoria – Ana Stela Cunha / Direção – Vicente Simão Júnior e Ana Stela Cunha)Palavras sem fronteira – tradições orais nos limites do Brasil  - 02/06/2011 (Autoria e direção – Luciana Hartmann)Soldados da borracha - 09/06/2011 (Autoria e direção – Cesar Garcia Lima)No rastro - 16/06/2011 (Autoria e direção – Marcus Antonio Moura Tavares)Vento Leste - 23/06/2011 (Autoria e direção – Joel de Almeida)Kusiwarã Jarãkõ – as marcas e criaturas de Cobra Grande - 30/06/2011 (Autoria – Dominique Tilkin Gallois / Direção -  Gianni Maria Puzzo)Lá do Leste - 07/07/2011 (Autoria – Carolina Caffé / Direção - Carolina Caffé e Rose Satiko Gitirana Hikiji)Curandeiros do Jarê - 14/07/2011 (Autoria – Camilla Dutervil / Direção - Marcelo Abreu Góis)As escravas da Mãe de Deus - 21/07/2011 (Autoria – Decleoma Lobato Pereira / Direção – Áurea Pinheiro e Cássia Moura)Eu tenho a palavra - 28/07/2011 (Autoria e direção - Lilian Solá Santiago)Mbaraká – a palavra que age - 04/08/2011 (Autoria – Spensy Kmitta Pimentel / Direção – Edgar Teodoro da Cunha)


Acompanhe as sinopses dos filmes pelo site www.etnodoc.org.br ou pelo documento em anexo.

18 de mar. de 2011

Argumentos contra as usinas nucleares

Argumentos contra as usinas nucleares
 
Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco
 
Os atuais padrões de produção e consumo de energia estão apoiados nas fontes fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), o que gera emissões de poluentes locais, gases de efeito estufa e põem em risco o suprimento a longo prazo do planeta, por serem finitas. É preciso mudar esses padrões, incentivar a economia de energia e estimular o uso das energias renováveis (solar, eólica e biomassa). Nesse sentido, o Brasil apresenta uma condição bastante favorável em relação ao resto do mundo.
 
Não existe uma fonte de energia que só tenha vantagens. Não há energia sem controvérsia, mas a nuclear, pelo poder destruidor que tem qualquer vazamento de radiação, não deve ser utilizada para produzir eletricidade, ao menos em nosso país, onde existem tantas outras opções.
  
Fica evidenciado que, desde 2005, a indústria nuclear intensificou seu agressivo lobby em diversos países da região, com forte influência nos setores legislativos e da política energética, tentando impor a implantação de usinas, sob o falso argumento de que a energia nuclear é uma fonte “limpa”, segura e contribui para combater o aquecimento global.
 
Com a retomada discutível e equivocada do Programa Nuclear Brasileiro, reiniciando as obras de construção de Angra 3, e os planos do Ministério de Minas e Energia de instalar no Nordeste usinas nucleares – a região do Brasil com maior potencial eólico e solar -, nada mais atual que discutir as razões contrárias a instalação de usinas nucleares no território nacional.
 
A opção nuclear para geração de energia elétrica no Brasil e no Nordeste, em particular, não permite resolver os atuais problemas energéticos, e contribuirá para com outros problemas sem solução à vista.
 
A seguir são apresentadas, sucintamente, as razões para rejeitar as usinas nucleares, vistas sob os seguintes aspectos:
- segurança energética,
- econômico,
- ambiental,
- social,
- riscos,
- proliferação e militarização nuclear,
- sustentabilidade energética,
- democracia.
 
Segurança energética
 
A segurança energética é um fator prioritário para o país e aumentará com a diversificação da matriz energética. Do ponto de vista da produção de energia, segundo a Empresa de Planejamento Energético-EPE, o país tem folga no abastecimento, podendo suprir as necessidades de energia elétrica, com as atuais taxas previstas de crescimento, por mais 5 anos. Portanto é puro oportunismo, criar uma relação direta entre os atuais apagões, que tem ocorrido freqüentemente no país todo, com a necessidade da instalação de usinas nucleares para evitá-los. Como que se os atuais apagões fossem decorrentes do desabastecimento, e novamente repetiríamos 2001/2002. Os defensores desta tecnologia associam enganosamente a instalação das novas usinas nucleares como solução aos apagões, que são ocorrências recorrentes do próprio modelo mercantilista empregado no país.
 
O fundamento principal para a construção de novas usinas de geração é de que existe uma previsão de crescimento da economia (sem que se questione a natureza do crescimento) e de que, em função disso, há necessidade de se ofertar mais energia para atender a esta demanda, construindo novas usinas.
 
Projeções do consumo futuro de energia dependem do tipo de desenvolvimento e crescimento econômico que o país terá. Existem vários questionamentos sobre os cálculos oficiais que apontam para taxas extremamente elevadas de expansão do parque elétrico brasileiro para atender a uma pretensa demanda. O que essa previsão esconde é o fato de praticamente 30% da energia elétrica ofertada pelo país é consumida por seis setores industriais: cimento, siderurgia, produção de alumínio, química, o ramo da metalurgia que trabalha com ferro e papel/celulose – 30% somente para seis setores. São exatamente eles que puxam o consumo da energia elétrica para cima, os chamados setores eletro-intensivos. Precisamos urgentemente discutir: energia para que? E para quem?  
Temos de fugir dessa idéia míope de discutir qual a melhor fonte. A melhor fonte de energia é aquela que não é consumida. Não consumir energia significa ter uma política de aumento da eficiência energética, situação da qual estamos muito longe ainda. Os resultados oficiais apresentados nesta área são pífios.
 
No Brasil, o consumo de energia per capita ainda é pequeno e é indispensável que o consumo de energia cresça para promover o desenvolvimento sustentável. No entanto, nada impede que o uso de tecnologias modernas e eficientes sejam introduzidas logo no início do processo de desenvolvimento sustentável, acelerando com isso o uso de tecnologias eficientes (aquecimento solar da água, eletricidade solar, geradores eólicos, geração distribuída,... ). Contrapondo assim ao pensamento de que, para haver desenvolvimento, é preciso que ocorram impactos ambientais, devido a geração, transporte e uso da energia.
 
A conservação de eletricidade reduz o consumo e posterga a necessidade de investimentos em expansão da capacidade instalada, sem comprometer a qualidade dos serviços prestados aos usuários finais. A eficiência energética é, sem dúvida, a maneira mais efetiva de ao mesmo tempo reduzir os custos e os impactos ambientais locais e globais, suportando assim, conjuntamente com as fontes solar, eólica e biomassa; a segurança energética do país.
 Aspectos econômicos
 
Do ponto de vista econômico, o custo de uma central nuclear é enorme, da ordem de R$ 10 bilhões. Geralmente este valor está aquém dos valores finais da obra. Nas planilhas de custos é subestimado (até não levado em conta) os custos de armazenamento dos resíduos, da desmontagem da central após sua vida útil e limpeza de locais contaminados, o reforço da linha elétrica para distribuição, e os serviços de fiscalização e segurança, entre outros. O chamado descomissionamento, representa o custo de desmontagem definitiva e descontaminação das instalações das usinas nucleares após o encerramento das suas operações. É preciso que se tenham garantias absolutas de que esse trabalho será levado a cabo com seriedade, e que as instalações e resíduos das usinas não serão simplesmente abandonados contaminados após o seu fechamento.
 
Como exemplo do que estamos falando, centrais nucleares que estão sendo planejadas atualmente na Finlândia, já estão custando o dobro do estimado antes do começo da obra. Já nos Estados Unidos, as usinas implantadas entre 1966 e 1986 tiveram, em média, custos 200% acima do previsto.
 
A história do nuclear mostra que esta sempre foi e continua a ser, mesmo com a nova geração de reatores, uma indústria altamente dependente de subsídios públicos. Isto significa que quem vai pagar a conta da imensa irresponsabilidade de se implantar estas usinas em nosso país, será a população de maneira geral, e em particular os consumidores, que pagarão tarifas cada vez mais caras.
 
Desde 2005, um dos mais conceituados centros tecnológicos do mundo, o Massachusetts Institute of Technology, tem assegurado que a energia nuclear não é competitiva sem subsídios. À mesma conclusão chegaram estudos publicados pelos jornais The New York Times e The Financial Times. Outro estudo ainda, publicado pela National Geographic Brasil (agosto 2005) aponta na mesma direção. E mais recentemente a revista britânica New Scientist listou argumentos que desfavorecem a energia nuclear: não sobrevive sem subsídios, os custos para pesquisa e desenvolvimento são altíssimos e também são insuportáveis os custos da disposição do lixo nuclear e do descomissionamento dos reatores, assim como a segurança nas usinas.
 
Para os brasileiros o maior impacto da instalação de usinas nucleares será nas tarifas. De 2001 a 2010, o aumento acumulado das tarifas de energia chegou a 186%, enquanto no mesmo período o IPCA (índice oficial de inflação do governo) acumulou 86%, segundo a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia Elétrica (Abrace). E projeta que até 2014, o preço da energia subirá mais de 30%. Pagamos uma das mais altas tarifas do mundo, e com tendência de aumento. Sem nenhuma dúvida pode-se afirmar que o uso da eletricidade nuclear irá contribuir ainda mais para a elevação das tarifas de energia elétrica no Brasil.
 
Para aqueles que afirmam que o Brasil deve manter-se aberto para todas as possibilidades de aproveitamento na geração e oferta de energia elétrica, a médio e longo prazo, o desvio de recursos públicos para a opção nuclear será um verdadeiro obstáculo ao estabelecimento de políticas de incentivo e promoção de energias renováveis no país. O incentivo garantido às usinas nucleares deveria ser direcionado a outras fontes de geração de energia, muito mais seguras e limpas, como a eólica, solar e a biomassa. 
 
O governo brasileiro mostra mais uma vez que está disposto a bancar a construção de grandes empreendimentos contraditórios e de resultados duvidosos, contrariando interesses divergentes que não tem sido considerado e nem incorporado no processo de negociação e decisão.
 
No caso de Angra III a estimativa de custos da obra, que era de R$ 7,2 bilhões em 2008, pulou para R$ 10,4 bilhões até o final de 2010, de acordo com a Eletronuclear. Isso sem contar os R$ 1,5 bilhão já empregado na construção e os US$ 20 milhões gastos anualmente para a manutenção dos equipamentos adquiridos há mais de 20 anos. Desde 2008, o custo de instalação por kW de Angra 3 subiu 44%, de R$ 5.330/kW para R$ 7.700/kW. Os gastos em usinas nucleares são um sumidouro de recursos públicos, e quem pagará por esta insanidade será o povo brasileiro.
 
Questão ambiental
 
Do ponto de vista ambiental é uma meia verdade, afirmações que as centrais nucleares não contribuem para os gases de efeito estufa, e que são “limpas”.
 
Em operação rotineira, as centrais nucleares pouco agridem o meio ambiente, porém expõem a sociedade ao risco de acidentes que liberam na biosfera produtos de fissão nuclear de alta radioatividade, que podem trazer conseqüências catastróficas a vida. Embora pequeno, tal risco existe, e não pode ser negligenciado. Ademais, essas usinas não resolveram o problema do que fazer com os rejeitos de alta radioatividade, cuja deposição final demanda pesados investimentos. Estima-se que estes rejeitos tenham que ficar isolados durante milhares de anos.
 
Na geração da eletricidade nuclear a produção de CO2 é muito pequena, mas se levarmos em conta o conjunto de etapas do processo industrial (chamado ciclo do combustível nuclear), que transforma o mineral urânio, desde quando ele é encontrado nas minas em estado natural até sua utilização como combustível dentro de uma usina nuclear é produzido quantidades consideráveis de gases de efeito estufa. Portanto, além das elevadas emissões de carbono, geram resíduos tóxicos altamente radioativos e contribui com agressões ambientais. Além de uma central nuclear consumir elevados volumes de água para sua refrigeração, tendo sua instalação obrigatoriamente ser próxima a grandes recursos hídricos (rios, mares, ....).
 
Portanto, se levarmos em conta todo o ciclo para preparar o combustível nuclear que será “queimado” nas centrais, pode-se afirmar que esta fonte energética é uma importante fonte de emissões, que são produzidas na prospecção do mineral, na extração e no transporte de urânio, no transporte dos resíduos para processamento ou armazenagem e no futuro descomissionamento.
 
Vários estudos científicos têm monstrado que o ciclo do urânio é um grande consumidor de energia e um forte emissor de CO2. O estudo americano “Nuclear Power: The Energy Balance” (2005), que compara as emissões de CO2 analisando o ciclo de vida de uma central nuclear e de uma central a gás natural (com uma potência equivalente) chega à conclusão que, no longo termo, com o decréscimo da qualidade das reservas de urânio, a eletricidade nuclear provoca muito mais emissões que o gás natural consumido na termoelétrica.
 
O cálculo que faz a Oxford Research Group chega a 113 gramas de CO2 por kWh gerado. Isso é aproximadamente o que produz uma central a gás. Portanto, existe um mito, um afã de descartar, cortar e mostrar de maneira parcial a realidade desta fonte de energia.
 
Já de acordo com a metodologia de Storm e Smith para o cálculo de emissões, o ciclo de geração por fontes nucleares emite de 150 a 400 g CO2/kWh, enquanto o ciclo para geradores eólicos emite de 10 a 50 g CO2/kWh.
 
Segundo dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) considerando a mineração do urânio, o transporte, o enriquecimento, a posterior desmontagem da usina e o processamento e confinamento dos rejeitos radioativos, esta opção produz entre 30 e 60 gramas de CO2 por kWh gerado.
 
Verifica-se então grande contradição nos números relacionados as emissões, e que existe uma polêmica e dúvidas sobre a capacidade de emissão de gases de efeito estufa, ao utilizar o urânio para gerar eletricidade.  Creio que neste caso o aconselhável seja uma ação preventiva, de não utilização desta fonte de energia.
 
No caso brasileiro, embora a extração do urânio utilizado pelas usinas ocorra em território nacional, antes ele vai para o Canadá, onde é transformado em gás e, em seguida, para a Europa, onde é enriquecido. Reparem que só nestes deslocamentos, não só existe a emissão de gases proveniente do transporte e do consumo de energia, mas também um grande risco da exposição dos materiais radioativos, ao realizarem viagens intercontinentais.
 
Aspectos sociais
 
É comum os defensores da tecnologia nuclear mencionarem com destaque, o impacto revolucionário de um empreendimento de R$ 10 bilhões, pode representar na economia local. Do ponto de vista da empregabilidade e dos ganhos financeiros para o município-estado que abrigar a usina nuclear, há uma falsa retórica de que os investimentos automaticamente favorecerão os moradores do entorno das instalações.
 
È bom lembrar aos desavisados que os vendedores da usina são responsáveis pelo fornecimento da ilha nuclear, chamada de Nuclear Steam Supply System (NSSS), e pelo layout da planta, o que representa aproximadamente 20% do custo total do capital. Os custos restantes são despendidos na contratação de empresas de engenharia e arquitetura e em fornecedores de sistemas e componentes.
 
A ausência de companhias com capacidade de projeto, fabricação e prestação de serviços de engenharia na região, ou mesmo no país, acaba exigindo a contratação de empresas do exterior e a realização de importações. Em geral, isso resulta em negociações que consomem tempo, extensões de prazos de entrega, dificuldades com a qualidade, transporte de equipamentos e outros problemas similares. Isso explica porque alguns vendedores de usinas têm procurado expandir suas responsabilidades para 50% ou 60% do orçamento total da obra, a fim de ter maior controle sobre a execução da usina.
 
Portanto não acreditem nestes benefícios mágicos trazidos “pelo progresso” representado por uma usina nuclear. Como exemplo, a época das obras da usina nuclear de Angra 1 chegou a 11 mil homens trabalhando no período de maior movimentação da obra. Eles trouxeram também suas famílias e isso gerou um contingente humano imenso que a cidade teve que abrigar. Muita gente veio de outros estados. E se instalou o caos urbano sem que a cidade de Angra dos Reis pudesse atender os que chegavam com os serviços básicos. A migração desordenada em grandes obras no país é uma realidade incontestável.
 
Por outro lado, acreditar que a mão-de-obra utilizada na construção e gerenciamento de uma usina nuclear no Brasil/Nordeste seja mão-de-obra da região, é de que os royalties provenientes da usina serão maciçamente aplicados em ações sociais e ambientais, é a mesma coisa que acreditar em Papai Noel, Saci-Pererê, Mula sem Cabeça e tantas outras figuras do imaginário popular.
 
Em comparação com a tecnologia eólica ou solar, a energia nuclear cria poucos empregos. Energias renováveis precisam de trabalhadores locais para a construção local e para a manutenção. Os empregos são criados localmente e ficam no local, por isso as comunidades ganham. 
 
Angra 3 (RJ - Brasil)

Riscos
 
Atualmente são feitas afirmativas peremptórias de que as usinas nucleares apresentam alto grau de excelência tecnológica, como principal fator de garantia da segurança e o aumento da confiabilidade. Há uma tentativa de tranqüilizar as pessoas, afirmando que a evolução tecnológica dos últimos 30 anos levou as usinas nucleares a se modernizarem e serem praticamente imunes em relação a acidentes. São citadas nos discursos “de perigo zero” as novas usinas que estão em estudos, às chamadas de 4ª geração que utiliza o conceito de “falha para a segurança”.
 
Nestas usinas, afirmam que quando ocorrem falhas de operação, estas são corrigidas, levando a uma condição mais segura do que a anterior, ou seja, a correção das falhas se dá automaticamente, sem requerer necessariamente a intervenção dos operadores. Como se isto bastasse e fosse suficiente para impedir acidentes. É só verificar e comparar, que mesmo com os enormes avanços tecnológicos da indústria aeronáutica, acidentes ocorrem, como foi o caso do Airbus 330-200 da Air France/AF 477, pérola da indústria aeronáutica no que diz respeito à automatização e segurança.
E mais recentemente terremoto seguido de tsunami que atingiu usinas nucleares no Japão, as mais seguras do mundo. Houve vazamento de radiação (12/03/2011) de um reator do complexo nuclear de Fukushima Daiichi localizado ao norte de Tóquio (250 km), após uma explosão ter arrebentado o telhado da instalação depois do grande terremoto (11/03/2011), com vazamento de radiação. Os efeitos imediatos deste acidente nuclear, anunciados oficialmente  foram de 160 pessoas contaminadas pela radiação, e 170.000 retiradas do entorno do reator, com uma área de exclusão que foi aumentando de 3 km, passando a 10 km e atualmente de 20 km de raio em torno do reator acidentado.
 
Sem dúvida a segurança das usinas nucleares teve avanços importantes, mas, seu relativo controle é suscetível a fatores humanos e da natureza. Não podemos apagar dos arquivos da memória, acidentes nucleares ocorridos nos últimos anos. Em Three Mile Island, na Pensilvânia - Estados Unidos em 1979, e em Chernobyl, na Ucrânia, 1986. Nos dois casos, os acidentes foram causados por falhas que provocaram um superaquecimento no reator, e vazamento de material radioativo para a atmosfera. 
Sempre há um risco de contaminação com radiação, independente se a usina nuclear funciona perfeitamente com um bom sistema de segurança. Emissão de isótopos radiativos de césio e estrôncio sempre acontece. Isso é uma contaminação “normal”, conhecida na linguagem internacional como contaminação “standard” das usinas nucleares. Acidentes com vazamento de radioatividade já aconteceram em várias usinas nucleares no mundo. A população sofre mais tarde de doenças graves como leucemia, aumentando o nível de mortandade. Além da contaminação do lençol freático e das terras se tornarem impróprias ao plantio e criação de animais.
 
E mais: parte do lixo nuclear produzido na usina precisa ser depositado de forma totalmente isolada do meio ambiente em um período de tempo que pode chegar a mais de 240 mil anos. E até agora a tecnologia para garantir isso de forma perfeita ainda não existe.
 
A radioatividade dos resíduos do urânio processado nas centrais é muito elevada, com graves riscos para a saúde pública durante dezenas a centenas de milhares de anos. Ainda não foi encontrada uma solução satisfatória para o tratamento dos resíduos, hoje armazenados em locais temporários. Este é um pesado legado para as gerações futuras.

Mas, infelizmente, mesmo o controle rigoroso na operação da usina e em todo processo produtivo do elemento combustíve,l não nos livra de outros tipos de risco como roubo de rejeitos radioativos, ataques terrorista, terremotos, falhas humanas e mecânicas. E as conseqüências de um acidente nuclear são desastrosas, afetando a presente e futura geração.

A nova geração de reatores nucleares em construção na Finlândia (Olkiluoto 3) e na França (Flamanville 3), apresentados como a vanguarda do renascimento do nuclear, têm registrado uma série de atrasos, derrapagens orçamentais e problemas técnicos de segurança. Na Finlândia, o prazo de conclusão da central foi adiado por dois anos e os custos de construção quase que duplicaram para um valor de R$ 11,5 bilhões, com várias falhas na construção a implicar potenciais riscos de segurança. Na França, os problemas são semelhantes, tendo já sido mandada parar a construção pela Agência de Segurança Nuclear francesa por vários problemas técnicos de segurança registrados.
 
Até agora não se tem notícias de que algum acidente em usinas de geração de energia tenha tido proporções semelhantes a Chernobyl e o desastre de Fukushima Daiichi. Ainda que Itaipu fosse destruída, e a maior parte da Argentina fosse por água abaixo, não ficariam seqüelas em gerações sucessivas a exemplo do que ocorreu na Ucrânia e no Japão.
 
Outro fator de extrema preocupação, descrito no Relatório da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados publicado em 2006, é que o Estado brasileiro está longe de ter a estrutura necessária para garantir a segurança das atividades e instalações nucleares. Nesse documento são apontadas graves falhas na fiscalização e monitoramento do setor nuclear, destacando, entre outros problemas, a duplicidade de funções da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN atua, ao mesmo tempo, como Requerente, Operadora, Prestadora de Serviços, Licenciadora e Fiscalizadora de si própria.
 
Vale lembrar que, em setembro de 2011, completara 21 anos da contaminação com Césio 137 em Goiânia, que vitimou milhares de pessoas e ficou conhecido como o maior acidente radiológico do mundo.
 
Proliferação e militarização nuclear
 
No Brasil, historicamente, a relação entre o uso da energia nuclear para fins energéticos e para fins militares é muito estreita. O Programa Nuclear Brasileiro surgiu durante a ditadura militar e até hoje atende demandas de alguns setores das forças armadas, fascinados pelo poder que a energia nuclear lhes traz. Outros grupos de interesse fazem “lobby”, como setores industriais “preocupados” com o risco de um apagão, grupos de cientistas pelo prestígio e oportunidades de novas pesquisas e pelo comando do processo, os fornecedores de equipamentos e as empreiteiras, por motivos óbvios.
 
A exportação e a proliferação contínua de tecnologia nuclear aumentam significativamente o risco de proliferação de armas nucleares, existindo o risco de novos Estados se tornarem novas potências nucleares.
 
Mesmo neste cenário de degradação ambiental e social, a ameaça de nuclearização da América Latina é real, com o Brasil dividindo com a Argentina a liderança nessa corrida. Ambos têm jazidas de urânio significativas, processo de enriquecimento em curso, usinas e minireatores. O Brasil já tem acordo de cooperação com a Venezuela, que firmou acordo com a Rússia para cooperação na produção de equipamentos. Outros países da América do Sul estão discutindo a fonte nuclear como alternativa para suas demandas de energia, como a Bolívia, Equador e Uruguai. O Peru e o Chile que planejam construir usinas nucleares.
 
A ressurreição do Programa Nuclear Brasileiro é mais um dos indícios da estratégia governamental de tornar o Brasil uma potência atômica. O dinheiro empregado no programa, para a construção e funcionamento de novas usinas núcleoelétricas, permitirá a lubrificação de todas as suas engrenagens. A cada usina que construímos aumentaremos o volume de urânio que produzimos, aumentando assim o saldo com que se espera entrar definitivamente como sócios no Clube Atômico, e para tal é necessário ter a bomba atômica.
 
Devemos evitar para nosso país problemas de geopolítica que são gerados pelo o ciclo de combustível nuclear, a tal ponto que depois das tensões com a Coréia do Norte, atualmente o Irã está em sério perigo de ter seu território invadido militarmente por estar enriquecendo urânio para geração nuclear.
 
Abrir mão da energia nuclear significa um importante passo para evitar o perigo de uma nova onda de proliferação nuclear, dada a natureza dual da energia nuclear, que se presta tanto para aplicações pacíficas como militares, sem falar dos problemas físicos de segurança nuclear. Não devemos nos esquecer do que afirmou o físico Robert Oppenheimer, responsável pela construção da primeira bomba atômica, quando visitou o Brasil, em 1953: "Quem disser que existe uma energia atômica para a paz e outra para a guerra, está mentindo". 
Sustentabilidade energética
 
A atual política energética e ambiental adotada, lamentavelmente tem levado o Brasil a caminhar na contramão do que vem sendo implementado em várias partes do mundo, que tem optado pelo uso de fontes renováveis de energia, não só na geração de energia elétrica, mas também no aquecimento de água solar que evita o consumo de eletricidade nos chuveiros. A noção de sustentabilidade energética descarta a eletricidade de origem nuclear como uma solução sustentável.
 
Na atual política de expansão da oferta de energia para o país, fica evidente o tratamento especial dado para a construção de mega-hidrelétricas na região Amazônica, de termoelétricas a carvão mineral e óleo combustível e a instalação de usinas nucleares.
 
Esse gigantismo para megaobras, típico de mentes tecnocráticas e autoritárias, beira a insensatez, pois, dada a atual crise ambiental global, são recomendadas obras menores, que valorizam matrizes energéticas com fontes de energia renováveis, que menos agridem o meio ambiente, e com produção descentralizada.
 
Se há um país no mundo que goza das melhores oportunidades ecológicas e geopolíticas para ajudar a formular um outro mundo necessário para toda a Humanidade, este país é o nosso. Ele é a potência das águas, possui a maior biodiversidade do planeta, as maiores florestas tropicais, a possibilidade de uma matriz energética menos agressiva ao meio ambiente – à base da água, do vento, do Sol, das marés, das ondas do mar e da biomassa.
 
Entretanto, ainda não acordamos para isso. E tudo isso nós temos em abundância. Nos fóruns mundiais vive em permanente estado de letargia política, inconsciente, “deitado eternamente em berço esplêndido”. Não despertando para as suas possibilidades e para a sua responsabilidade em face da preservação da Terra e da vida.
 
Em nosso país existem várias alternativas para aumentar a oferta de energia sem a construção de novas centrais, uma delas é incentivando a eficiência energética. Também são evidentes a abundancia dos recursos renováveis: solar, eólico e da biomassa para a diversificação e complementação da matriz energética. Simplesmente as vantagens comparativas destes energéticos renováveis não são levadas em conta.
 
Opções energéticas e a eficientização de processos e equipamentos são apresentadas pelos estudiosos da UNICAMP, USP, CHESF, UFPE, que levam em conta as possibilidades de redução da energia na demanda tanto do lado da oferta, como do lado do consumo. Além de apresentarem como fontes renováveis: a energia solar para aquecimento da água e para produção de eletricidade, energia eólica, usinas térmicas a bagaço de cana (bioeletricidade) e restos de produtos agrícolas, e energia das ondas do mar.
 Democracia
 
A indústria nuclear é por sua natureza secreta e sem transparência. Em alguns países, foi criada uma polícia especializada para cuidar dos materiais radioativos contra o roubo pelos “terroristas”. Com este argumento, a indústria nuclear contribui para a diminuição dos direitos democráticos da sociedade, porque cria um “Estado de Segurança”.
 
A segurança das usinas geradoras e demais instalações nucleares (tratamento e enriquecimento de urânio, fabricação de elementos combustíveis, reprocessamento de combustíveis irradiados, depósitos de rejeitos etc.) implica importantes e custosos aparelhos policiais. Assim, países que optem pelas usinas nucleares em seus sistemas elétricos poderão ser forçados a adotar métodos próprios de Estados policiais.
 
É fundamental a necessidade de se discutir mais a questão energética. O debate de idéias e o confronto de interesses são instrumentos decisivos na formulação de uma estratégia energética sustentável e democrática. Daí a necessidade de ampliar os espaços de debate, hoje restritos aos gabinetes dos especialistas.
 
No caso da energia nuclear informações técnicas, econômicas, financeiras, de segurança, relatórios operativos, entre outros documentos são muitas vezes considerados sigilosos e não disponíveis publicamente. Esta fonte de energia acentua o caráter autoritário na condução da política energética no país.
 
  
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Heitor Scalambrini Costa, professor associado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP), Mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Comissariado de Energia Atômica (CEA)-França.

2 de mar. de 2011

Simpósio sobre Belo Monte

O GESTA/UFMG e o GT Povos Tradicionais, Meio Ambiente e Grandes Projetos da ABA (Associação Brasileira de Antropologia) convidam para o simpósio sobre Belo Monte no dia 14 de março, às 19:00 horas, no auditório Sonia Viegas (FAFICH-UFMG). Belo Horizonte (MG)

Os expositores são:

Profa. Sonia Maria Barbosa Mgalhães (UFPA-ABA)
Prof. Oswaldo Sevá Filho (UNICAMP)
Prof. Francisco del Moral Hernandez (USP)



Mais sobre Belo Monte:
No link abaixo voces vão encontrar uma entrevista de Célio Bermann, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, ao Correio da Cidadania, sobre Belo Monte e o apagão:


27 de fev. de 2011

Carnaval Latino em Santa Teresa!

       Neste domingo 27 tem Carnaval Latino em Santa Teresa! De graça, dia 27, das 18h as 22h, no Largo dos Guimarães
       Quem comanda a festa é o bloco afro uruguaio de candombe Tocadores da Lua (na foto). 
     O evento conta ainda com a partipação especial de Orieta Castillo, que interpreta congas e rumbas, entre outros ritmos latino-americanos. Depois dos shows, o som fica a cargo do DJ Dedo Verde e do projeto Electromatto. Eles misturam a música andina com batidas eletrônicas. 
      A festa acontece nos jardins da Livraria Largos das Letras, e é mais uma produção da equipe que realizou a mostra de arte Chama o Raul! (mostracubana.blogspot.com).

24 de fev. de 2011

Um mar de foguinhos.... belíssima entrevista com Eduardo Galeano, no Sangue Latino

    Alguns importantes nomes da América Latina foram reunidos no Canal Brasil no programa Sangue Latino. O escritor e jornalista Eric Nepomuceno convidou escritores, músicos, poetas, artistas plásticos e outros grandes pensadores do continente (infelizmente muitos mais homens do que mulheres...) para conversar sobre a situação política, literatura, música, cultura e política dos países da região, entre outros temas. As entrevistas foram gravadas no Uruguai, Argentina, Chile e no Brasil, sempre em clima intimista e sem uma pauta previamente determinada para cada convidado. (Para saber mais sobre o projeto: Eric Nepomuceno conversa em clima intimista com intelectuais da América Latina

     A seguir, a entrevista com Eduardo Galeano. É imperdível, profunda e emocionante. Eduardo Galeano nasceu no Uruguai em 1940 e foi autor do célebre Las venas abiertas de América Latina (1971).

Diretor: Felipe Nepomuceno
Dir. de Fotografia: Breno Cunha
© 2010 Urca Filmes

Para assistir a entrevista numa resolução muito melhor, clique no link:

11 de fev. de 2011

África: coração do Fórum Social Mundial, artigo de Esther Vivas

[EcoDebate] Passados mais de cinquenta anos da descolonização do continente, o Fórum Social Mundial (FSM) quis render homenagem aqueles que ontem lutaram contra o colonialismo reafirmando seu combate contra as políticas neoliberais e neocoloniais, asim como reflexionar sobre os processos migratórios, da África ao mundo, e sua diáspora.

Se no anterior FSM em Belém(Brasil), em 2007, os povos originários e seu compromisso em defesa da Pachamama, a mãe terra, ocuparam um papel central, nesta ocasão a África e sua diáspora tomaram o fórum. Tanto os dias prévios ao FSM como sua primera jornada, segunda-feira 7, estiveram dedicados, especialmente, a estas questões.

A ilha de Gorée, próximo a Dakar, onde partiram milhões de escravos para a América Latina, acolheu, justamente antes do evento, uma assembléa internacional de migrantes, principalmente de origen africano e vários deles vindos da América Latina, que culminou com a elaboração de uma Carta Mundial de Migrantes, uma declaração de princípios elaborada pelas mesmas pessoas migrantes com o lema de ‘Uma carta por um mundo sem muros’. Este proceso começou no ano 2006 e teria como objetivo reivindicar o direito universal a circular, viver e trabalhar livremente em qualquer lugar do planeta.

E o dia 7, o Fórum Social Mundial foi África. Seminários dedicados a analisar o papel da mulher no continente, o impacto das políticas neoliberais, a usurpação de seus recursos naturais, o peso da dívida externa, a imigração Norte-Sul, a luta contra os tratados de livre comércio, etc. foram algumas das temáticas abordadas.

A presença de organizações e coletivos da África do Oeste está sendo muito numerosa. Uma caravana de movimentos sociais recorrieu días antes do FSM vários países da região, desde Benín, passando por Togo, Burkina Faso, Malí, até chegar ao Senegal, num total de 3377 km, dando a conhecer o Fórum Social Mundial e animando a participação no mesmo. CADTM África, No Vox e varios ATTAC’s africanos, entre outros, dinamizaram a marcha. A caravana teve sua última parada em Kaolack, onde chegaram 450 participantes, e onde se celebrou, com o apoio de grupos de mulheres de toda a região, um encontro feminista e internacionalista.

Mas se um tema está presente em todo o FSM, como foi na jornada dedicada a África e como nos dias posteriores, é a revolta tunisiana. O levantamento do povo da Tunisia é um exemplo a seguir, que demonstra que hoje a revolução é possível. Em um contexto político com falta de vitórias concretas, as revoltas no norte da África, na Tunisia, Egito, Yemen, Jordania… demonstram que a luta serve. Fathi Chamki da ATTAC Túnisia deixou claro com estas palavras pronuciadas em um dos seminários do Fórum: “Se o povo aspira a vida, o destino não pode mais que dobrar-se a sua vontade”.

* Esther Vivas desde Dakar.
** Esther Vivas é colaboradora e articulista internacional do Portal EcoDebate.
*** Tradução Português: Paulo Marques

FONTE: EcoDebate, 10/02/2011

6 de fev. de 2011

O que está em jogo no Fórum Social Mundial 2011

por Gustave Massiah e Nathalie Péré-Marzano, representantes da Research and Information Centre for Development (CRID – France) no Conselho Internacional do Fórum Social Mundial.
 
      As questões do Fórum Social Mundial de Dakar estão organizadas em três grandes temas: a conjuntura global e a crise, a situação dos movimentos sociais e cívicos e o processo do Fórum Social Mundial. O FSM Dakar também será o momento para o debate sobre o caráter incompleto da descolonização e devir de uma nova fase descolonização. No Fórum de Dakar uma outra questão fundamental será a do seu alcance político nas mobilizações sociais e da cidadania. Isso conduz ao problema da expressão política dos movimentos sociais e de sua relação com os governos.
(...)
 
A referência ao contexto africano
     O Fórum Social Mundial de Dakar vai enfatizar questões essenciais que aparecem com mais nitidez com as referências ao contexto africano. A ênfase estará no lugar da África no mundo e na crise. A África é objeto privilegiado de análise, ao tempo em que exemplifica a situação global. Não é pobre; é empobrecida. A África não é marginalizada; é explorada. Com suas matérias primas e recursos humanos cobiçados pelos países do Norte e pelas potências emergentes, e com a cumplicidade ativa dos líderes de alguns estados africanos, a África é indispensável para a economia global e para o equilíbrio ambiental do planeta.

     A ênfase também estará na descolonização como um processo histórico incompleto. A crise do neoliberalismo e a crise de hegemonia dos Estados Unidos são indicativos da possibilidade de uma nova fase de descolonização, e do enfraquecimento das potências coloniais europeias. A representação Norte-Sul está mudando, uma situação que não elimina a realidade geopolítica e as contradições entre o Norte e o Sul.

     O Fórum priorizará as diásporas e as migrações como uma das questões centrais da globalização. A questão será enfrentada com base na situação atual dos imigrantes e seus direitos, numa análise de longo termo, com o comércio de escravos posto sob a perspectiva do crescimento do papel das diásporas culturais e econômicas.

     O Fórum debaterá as mudanças no sistema internacional, nas instituições multilaterais e nas negociações internacionais. Em particular, vai focar nas questões que tornam clara a necessidade de regulação global: equilíbrio ambiental, migração e diásporas, conflitos e guerras.


24 de jan. de 2011

A turbulenta relação entre os brasileiros e as serras remonta à criação do país

A gênese da destruição


A trágica história dos desastres naturais em terras brasileiras começa com o país. São Vicente, em São Paulo, a primeira povoação oficialmente criada na América portuguesa, teve o núcleo destruído por tempestades e ressacas em1541. O padre José de Anchieta, ao escrever na mesma região em 1560, descreveu uma tempestade que "abalou as casas, arrebatou os telhados e derribou as matas".

Desde então, se sucedem os desastres gerados pela combinação de gente no lugar errado, montanhas e tempestades, destaca o historiador José Augusto Pádua, para quem a história tem muito a contribuir para a compreensão da relação entre o homem e a natureza. Relação que pode terminar em desgraça, como demonstrou a tragédia deste mês na Região Serrana do Rio.

- Temos uma longa trajetória de uso inadequado do solo. E uma visão da natureza sem enfoque histórico. As pessoas, e não só no Brasil, veem a natureza como um cenário. Mas a natureza é movimento. É transformação permanente - explica Pádua, um dos poucos especialistas brasileiros em história do meio ambiente e coordenador do Laboratório de História e Ecologia do Departamento de História da UFRJ.


VER a matéria completa em Jornal da Ciência de 24 de janeiro de 2011 

22 de jan. de 2011

Joãzinhos... Juanitos.... sempre vítimas das tragédias ambientais

No Rio de Janeiro, em Córdoba (Argentina) as chuvas chegam fazendo estragos, mas costumam ser os "Juanitos" os mais castigados. Isso é a injustiça ambiental.


Antonio Berni, "Inundación en el barrio de Juanito", 1961 (óleo, metal y cartón sobre hardboard 186 x 124) - Em: La Pintura y las inundaciones 

Para mais quadros de Antonio Berni, clique aqui

Vale a pena ver o Blog  NO QUEREMOS INUNDARNOS (Localidad de Embalse, Córdoba, Argentina) 

Ver, também, Sobre lixões, desigualdades sociais, injustiça ambiental e enchentes, postado neste blog, em 9/4/2010. 

29 de dez. de 2010

EXPOSIÇÃO: O OLHAR PRECIOSO DE DARCY RIBEIRO

EXPOSIÇÃO: O OLHAR PRECIOSO DE DARCY RIBEIRO de 22/11 a 30/12 · Rio de Janeiro, RJ 

O Ministério da Cultura, o Museu do Índio/FUNAI e a Caixa Cultural apresentam no dia 22 de novembro, às 19h, O Olhar Precioso de Darcy Ribeiro, seleção de 50 fotografias inéditas produzidas pelo antropólogo Darcy Ribeiro durante seus diversos trabalhos de campo entre os índios Kadiwéu, Urubu-Ka´apor e Ofayé-Xavante. O acervo faz parte do arquivo do Serviço de Proteção aos Índios, nominado em 2008 no Registro Nacional do Programa Memória do Mundo da UNESCO e tem a curadoria do fotógrafo e antropólogo Milton Guran. A mostra poderá ser visitada na Caixa Cultural / Rio de Janeiro, Av. Almirante Barroso, 25, sobreloja, até o dia 30 de dezembro. Entrada franca.

Mais infomações em OverMundo

8 de dez. de 2010

Água engarrafada ou Como funcionam os mercados no mundo atual

El agua embotellada, oro líquido

Hamo Forsyth
BBC

Embotellar agua para venderla y así hacer negocio era algo que hace 40 años pocos tomaban en serio. Hoy por hoy es ya una industria global que mueve miles de millones de dólares. La materia prima sigue siendo simple, lo que cambió es la forma en que pensamos sobre ella. El agua dentro de la botella no es otra cosa más que agua, pura y simple, un elemento natural con un costo mínimo para recoger.
     Sin embargo, su valor real está en el marketing, en cómo se gestiona la imagen de marca, en todo lo que se vende junto con el agua y no se ve. El profesor Richard Wilk, antropólogo de la Universidad de Indiana (EE.UU.) considera el agua embotellada un ejemplo ideal para entender cómo funcionan los mercados en el mundo actual. "En algún sentido compramos una alternativa, compramos libertad. Eso es lo único que puede explicar por qué vamos a pagar por una botella de algo que de otra forma conseguimos gratis".

Mercado enorme

     A través de la publicidad y la mercadotecnia, el agua embotellada ha llegado a convertirse en el mejor ejemplo de éxito en la historia moderna de la industria de la alimentación. "La demanda ha crecido de forma exponencial en las últimas décadas", comenta Peter Gleick, autor del libro Bottled and Sold (Embotellada y vendida).
Niña acarrea agua

"Se multiplicó por dos, se duplicó y se volvió a doblar de nuevo. Y las compañías de agua embotellada disponen de un potencial de mercado enorme, no sólo en los países más ricos", opina Gleick.
     El agua es un elemento fundamental, esencial para la vida, que para algunos es abundante y para otros, un bien escaso. En algún sentido, se ha convertido en un emblema del capitalismo. En la industria alimenticia es de hecho inigualable. "Algunos piensan que el agua embotellada es la cúspide del capitalismo, particularmente quienes están en el negocio", dice Charles Fishman, autor de The Big Thirst (La gran sed)."Me parece que el agua embotellada es una especie de caricatura de la economía global: ofrece a la gente 20 o 30 variedades de algo en lo que realmente no existe tal variedad".

Clientes escépticos

     Al principio no existían alternativas, el fenómeno del agua embotellada comenzó con una marca: Perrier.
Se trató de todo un éxito publicitario que llegó a crear una marca con la que definir una generación. El responsable de la campaña fue Richard Wheatley: "Perrier popularizó el agua embotellada. La hizo aceptable, más que aceptable, la hizo deseable". Pero el éxito no fue inmediato. Cuando la marca desembarcó en el Reino Unido, se encontró con que muchos se negaban a pagar por algo que conseguían gratis en el grifo.
Perrier

     Ahora bien, la campaña publicitaria consiguió modificar el panorama para siempre. También en Estados Unidos, donde de vender 12 millones de botellas en 1980 superó las 150 millones al final de la década. Para entonces, Perrier ya no era simplemente una botella de agua, era más bien un símbolo. "Tener en la mano una botella de Perrier dice algo, muestra sofisticación, un entendimiento de lo que pasa en el mundo", opina Michael Bellas, de Beverage Marketing Corporation.

Salud y bienestar

     A finales de los 80, la marca francesa Evian fue capaz de capitalizar la creciente demanda por bienestar físico y un aspecto saludable, hasta el punto que prácticamente llegaron a ser capaces de embotellar esos conceptos. "Evian se vendía con una persona bonita bebiéndola", explica Fishman. "En sus primeros pasos, mostraban hombres y mujeres maravillosos. Era como decir, si quieres ser guapo y saludable, bebe Evian". Desde 1990 al fin del milenio, Evian pasó de vender 50.000 a 100.000 millones de litros. Para algunos, la elección y la libertad merece el precio que se pide. Para otros, representa el exceso y la desigualdad del mundo moderno, donde 1.000 millones de personas no tienen acceso a agua limpia. "No podemos dejar de ver que lo absurdo de la industria del agua. Hay gente que muere de sed o sin agua suficiente, mientras gastamos miles de millones y mucha energía en llevar agua desde quienes ya la tienen hacia otras personas que también ya la tienen", sentencia Wilk.
     La actitud de los consumidores ha cambiado y las críticas a la industria no han hecho más que intensificarse. En el centro del asunto está aquello de lo que realmente está hecha el agua embotellada: agua y petróleo. Los dos recursos más codiciados del mundo en uno.


1 de dez. de 2010

Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia realiza encontro com poder público, dia 2 de desembro, às 15 horas


O Comitê de Desenvolvimento Local da Serra da Misericórdia realizará um encontro de articulação com instituições da sociedade civil para promover o diálogo com o Poder Público. A  reunião será manhã, 2 de dezembro (quinta-feira), às 15h, na sede do Instituto raízes em Movimento (Rua Diogo de Brito, 245 – Ramos). Na ocasião,  será apresentada a proposta de uma agenda propositiva para a área, que engloba o Complexo do Alemão.
As instituições locais, as de atuação mais ampla e os cidadãos que apoiam essa posição coletiva podem aderir enviando email para comitedaserra@gmail.com. A nota da comunidade, expressando seu posicionamento e propondo a agenda de diálogo, pode ser lida neste Blog ou no saite do Comitê.
Os veículos de imprensa interessados em cobrir o encontro de quinta-feira devem entrar em contato pelo telefone (21) 3867-4629 ou pelo email comitedaserra@gmail.com.

Outros olhares...

Porque a realidade costuma ser opaca... e, não poucas vezes, nossos olhares escorregam na sua superfície